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sábado, 15 de setembro de 2012

Margarida é mesmo novidade, uma chance para o futuro?


Há alguns dias eu li um texto escrito por um professor universitário e cientista político defendendo que o “novo” é um governo municipal liderado pelo PT. Era de se esperar a defesa do autor pelo PT, afinal o texto foi publicado em um blog de apoio do partido. E o fez de forma louvável, e bem característica: atacando os adversários. O intuito de exaltar a candidata Margarida Salomão se fez presente desde o título, e ficou evidenciado quando o autor deu ênfase somente dois maiores adversários da mesma, e simplesmente ignorando os demais candidatos com poucas chances de se eleger.

O texto faz uma reflexão se Bruno Siqueira realmente representa o novo. E conclui que não, pois ele representa o conservadorismo, os traços arcaicos do comportamento de boa parte da elite política brasileira. O autor ainda acrescenta dois outros aspectos em relação o Bruno: o discurso “vago e oco” do candidato e a sua “traição” ao PMDB ao apoiar o PSDB em 2008, e não o PT conforme decisão partidária.

Sobre Custódio preferiu afirmar que não é o novo devido a uma reeleição e porque as propostas e ações realizadas já eram esperadas e necessárias.

O objetivo de defender a candidatura, e pedir votos para o PT é atingido com louvor. Porém, simplesmente se restringiu a apontar “falhas”, e não considerou o potencial dos candidatos. Buscou personificar o voto dentro do discurso do novo, e hoje diante do resultado da pesquisa Ibope percebemos que vazio é o discurso e campanha envolvendo a defesa do novo.

Como o autor preferiu se restringir em três candidatos, farei minha contra argumentação com esses três. Apenas por isso não citarei os demais.

Começando pela candidata e partido defendidos pelo professor, que afirma que o novo é referente a um “projeto novo e uma coalizão sólida para sustentá-lo”, eu pergunto: Onde está o novo? Considerando que novidade é algo ultrapassado ou que cause surpresa ao portador, Margarida definitivamente não representa o novo, uma vez que já esteve na gestão do Tarcísio, que pro sua vez apoia Margarida, e se esta vir a ganhar este estará ao lado dela, conforme ela já esteve ao lado dele. Além disso da mesma forma que Bruno apoiou Bruno, Margarida um dia já apoiou o PSDB, uma vez que já foi do PPS e todos sabem ao lado de quem o PPS (partido do então Secretário Estadual de Saúde) esteve. Pelo lado do PT este não tem um projeto novo e tão pouco uma coalizão para sustentá-lo vide o exemplo a nível nacional; privatizações, mensalão, greves de várias categorias profissionais. Se assemelhando bastante ao governo que apresentam de FHC.

Se pensarmos o novo como experiência política e administrativa, as quais o texto afirma que Bruno não tem, a ponto de ancorar-se em governos antigos, o que falar desse apoio recebido de Tarcísio? E venhamos se ela tivesse mesmo boa experiência política e administrativa o PPS a deixaria migrar para o PT? Ou o próprio partido da mesma deixaria de convidá-la para participar e atuar em alguma pasta a nível nacional, considerando inclusive que foi candidata a deputada?

Com relação a Custódio, se ele realmente não tem nada de novo, então PT também não tem projeto novo, pois as propostas que vem apresentando são apenas promessas de implantação de programas já existentes, estudo, colaborações. Nada de novidade propriamente dita, nada que cause surpresa ou seja ultrapassado ao eleitor, tudo que é necessário para um bom desenvolvimento e crescimento da cidade. E por falar em programas já existentes, se o discurso de Bruno é vago e oco, de Margarida é mentiroso, uma vez que promete implantar programas já existentes no município (consultório de rua, informatização na marcação de consultas e assistência, criar programa de “de volta pra casa”, e Escola de Redutores de Danos). Se considerarmos mentira como uma declaração falsa, então o discurso da petista é falso pois não se pode recriar programas já implantados, apenas reorganizar, reestruturar.

Sobre a “traição” de Bruno para com o PMDB, eu confesso que me causa estranheza essa colocação de um cientista político, pelo simples fato de fragmentar um contexto e só apresentar uma versão que desfavoreça o candidato. Ora será que foi traição mesmo o apoio de Bruno à Custódio?

O estatuto do PMDB em seu nono artigo, item III dispõe que é dever do filiado “manter a conduta ética, pessoal e profissional com as responsabilidades partidárias, particularmente no exercício do mandato eletivo e de função pública”. Além disso há o artigo 10º, item X do Código de Ética do respectivo partido que enfatiza que “atividade política contrária ao regime democrático ou aos interesses do Partido” constituem infrações éticas dos filiados do PMDB. Com base nisso, e sabendo que Bruno tinha já intenção de se candidatar o deixariam no Partido? Dificilmente.

Logo não houve traição, certamente Bruno apresentou seus argumentos, por motivos éticos e de consciência seu apoio à Custódio, pelo fato de ter sido relator da CPI “formada na Câmara Municipal para investigar a liberação irregular do Fundo de Participação dos Municípios – com suspeita de desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito do prefeito Alberto Bejani. A CPI opinou pelo indiciamento de Bejani.” (site da CMJF). Seria coerente Bruno apoiar Margarida Salomão como o partido, tendo Bejani no mesmo palanque?

O então legislador pode ter se baseado no parágrafo 2º do Art. 47º do Estatuto que permite que parlamentares por motivos de consciência ter posição diversa dos demais , no caso o partido, desde que comunicado e posto a apreciação do partido. Embora o artigo e item trate de fechamento de questão, pode ser utilizado para casos excepcionais e debatido ao partido.

Estando isto explicado vale ainda destacar que, hoje o PT critica essa postura de Bruno, mas aceita essa mesma postura por pessoas do partido, que mesmo o PMDB tendo candidato próprio decidiram apoiar Margarida Salomão, e apenas um - Tarcísio Delgado – se desfiliou, os demais não. E ai é normal, é ético? Sem contar que quando é em relação aos 35 dissidentes que hoje apoiam Bruno, o ato é tardio, impensado, anti ético e até de infidelidade partidária, como alguns colocam nas redes sociais.

Esse discurso só comprova que a tentativa não é analisar e avaliar os adversários de forma racional, mas de forma a prejudicá-los de alguma forma e beneficiar o Partido dos Trabalhadores. Lamentável.

Assim concluo analisando que se Custódio e Bruno não representam o novo, não é Margarida que representa. O PT à frente da prefeitura de Juiz de Fora é no máximo ineditismo, nada além disto.

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A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: 

Se Bruno é tão inexperiente, tão ruim no discurso, e todos os outros desméritos que o atribuem, será que teria tão expressiva votação enquanto vereador e deputado estadual? Será que seria homenageado em  dezembro de 2008 com a medalha JK pela UFJF, se não tem representação nenhuma, e vive ancorado no passado e antigas lideranças, e com isso apoiado Custódio?

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