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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O cuidar

Se você escolheu ser enfermeira para cuidar e não curar, por que hoje você se afastou do cuidar? Essa foi uma pergunta feita por uma colega de profissão a mim, diante do fato de eu exteriorizar que não quero voltar à assistência direta ao paciente.

Poderia dar inúmeras explicações, até mesmo dizer que cuidado do paciente já existem muitos profissionais ( quando não há negligência, claro), e que falta profissionais nos bastidores ( nas pesquisas, no pensar, no criar, etc.). Porém se respondesse isso, não estaria considerando o cuidar em toda a sua especificidade, em toda a sua amplitude.

Cuidar não é só tocar no paciente, é respeitá-lo, é conhecer todo o seu contexto biopsicossocial, é buscar alternativas, é pensar em prol de, é estar atento, é procurar meios para atender as necessidades de alguém, algumas destas que ainda nem se percebeu que sejam realmente necessárias. Cuidar é evitar agravos, evitar as tais necessidades. Talvez possa ser explicar o que não se pode explicar aos normais,

Sendo assim, se considerarmos o cuidar apenas o contato direto ao paciente, realmente estarei abandonando. Entretanto para mim este cuidar é apenas tratar necessidades mediatas de alguém.

Eu estarei cuidando, com toda a potencialidade da palavra e da ação, afinal ninguém disse que para estar junto é preciso estar perto. Farei como os poetas que cuidam das expressões ( necessidades) da alma, das emoções, que também não são explicadas pelos normais e tão pouco precisa estar perto para tal.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Basta Ouvir Seu Coração

Composição: Ivan Lins / Mauricio Manieri

O Sol quente das manhãs
As noites de luar
A vida é tudo o que se quis
Um canto de amor
Mas de repente não há mais música no ar
E tudo é diferente do que você sonhou.

[refrão]Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração

As lembranças vão surgir
É só você buscar
Abraços e sorrisos
Que ninguém pode apagar
Vão relembrar histórias que você já se esqueceu
Ninguém está sozinho
Se não existe adeus

[refrão]Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração

Há um lugar em você
Onde está a alegria de viver
Preste atenção no que essa voz diz
Em seu coração
Você não vai se perder.

[refrão]Se você sentir a solidão da escuridão
Pense em quem te faz feliz
A amizade tem um querer bem
Que esteja onde estiver
Tudo vai ser como é
Basta ouvir seu coração [2x]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Respostas de quem?

Conta a lenda que numa pequena cidade um homem sozinho, sem família caminhava todos os dias ao final da tarde, após seu trabalho pela cidade pela cidade. Contava as senhoras da cidade que aquele solitário homem buscava sentido para sua vida.

Era um homem muito rico, talvez um dos mais ricos da região. Mas nem todo dinheiro tirava de seus olhos um ar triste. Sua empregada uma senhora muito religiosa dizia-o que orava para ele encontrar a felicidade.

Quando a solidão o apertava o coração, ele tentava amenizá-la no famoso inferninho da cidade. Isto o fazia ser muito criticado. Mas ali ele se sentia bem, pessoas alegres que lhe proporcionavam bons momentos de muitas risadas.

Nesse local ele encontrava o ombro amigo para ser ouvido, encontrava o colo de mãe que perdeu tão cedo, a compreensão, e o melhor amigos. E todos os dias enquanto caminhava e passava ali pela frente sempre havia duas moças à janela para acenar-lhe, algo que ninguém mais fazia. Ele tinha uma afeição especial por uma daquelas moças. Tinha vontade de arrancá-la dali. Mas o que as pessoas falariam?

O pensamento naquela moça o sufocava cada vez mais. Até que sua empregada perguntou o que lhe afligia. Ele então disse que queria sentir o amor, que ele nunca conheceu esse sentimento. Ela então lhe disse para abrir o coração, assim chegaria ao amor. Mas o homem respirou fundo soltando o ar desanimado e quase num sussurro falou que era impossível, pois se ele se abrisse para o amor se fecharia para a sociedade.

Aquela senhora não entendeu muito, mas segurou a sua mão e disse que a felicidade de cada um está em si mesmo e não na opinião dos outros.

Aquelas palavras o atormentaram, mas como faria? O que iriam dizer? Eram muitas diferenças: idade, modo de vida, costumes, e tantas outras coisas. Mas era isso que o fascinava. Mas as palavras dos outros sempre o perseguia e ele mudava logo o rumo do pensamento.

Em uma reunião de trabalho um dos sócios não concordando com a idéia do homem lhe disse que ele viva com uma sombra sobre ele e que precisava de sol., nem mesmo acabara o expediente ele pegou o carro e saiu cantando pneu, parou enfrente ao inferninho e perguntou pela Solaris – a moça que ele tanto pensava.

Ela apareceu, e ele pegou-a pela mão, e a convidou para acompanhá-lo. Ela:

- Acompanhar para onde?

- Pela vida.

Saíram dali percorrendo as ruas da cidade de carro, já era possível ver a alegria estampada nos olhos dos dois a cidade sorria para a cena assistida.

Ao chegar em casa, um largo abraço da empregada os esperavam. E mais uma vez as sábias palavras.

- Às vezes perdemos tanto tempo buscando respostas para outras pessoas, que nos esquecemos das nossas vontades, desejos e respostas.