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sábado, 26 de junho de 2010

Analfabetismo Virtual



É inexorável os benefícios que a Internet trouxe ao dia-a-dia das pessoas: encurtar distancia, dinamizar atividades x tempo, difusão de informações e cultura. Há uma infinidade de sites com bom conteúdo, no qual se pode desfrutar de bons textos escritos em uma linguagem acessível, porém bem escrito. Quando digo bem escrito não me refiro apenas à clareza de idéias, mas à sintaxe e ortografia.

Ora mas porque se preocupar com sintaxe e ortografia? Pode parecer besteira, mas um bom texto depende muito desses dois itens. Na comunicação, principalmente escrita, são fundamentais também, porém andam esquecidos no meio virtual, principalmente no que diz respeito aos sites de relacionamento.

Não! Não estou me referindo a vícios de linguagens virtuais ou neologismos ( nos quais as palavras são simplificadas por meio de abreviatura), ou o “miguxes” ( as palavras são escritas conforme a sonoridade, ou na linguagem “tatimitati”, exemplo: axim, naum, etc.). tão pouco a erro de digitação, no qual se troca a ordem das letras de uma palavra, mas ainda assim dá-se para entender. Porém, me refiro a erros que são o verdadeiro assassinato da gramática.

Pontuação inexiste. Se não acompanhar o contexto da frase não se sabe se é um questionamento ou uma afirmação. O mesmo acontece com acentuação, as palavras – como citado anteriormente – são escritas conforme a sonoridade ( é = eh).

Isso sem contar na dificuldade crônica do uso de “x”, “ch”, “s”, “ss”, “sc”, “ç”, “g” e “j”, “l” e “u”, “h”. é absolutamente escandaloso os erros ortográficos. Os erros são em palavras simples, que utilizamos no dia-a-dia, que lemos em panfletos, outdoor, em manchetes de jornais ou sites, em supermercados. Enfim, palavras de uso cotidiano, que não dependem do hábito da leitura para serem assimiladas.

O mais triste é que esses erros são cometidos em sites de relacionamento, nos quais pessoas tentam encontrar seus “pares”, fazer amizade. Assim a cultura fica em segundo plano, melhor dizendo em último, é preciso impressionar o outro, mas isso se dá através de atrativos físicos, popularidade, ou posses (bens materiais mesmo). Ser culto, ter formação, gostar de ler, escrever certo não é importante, pelo contrário, aquele que segue a norma culta para escrever é tido como antiquado (será que ainda lembram ou sabem o que significa esta palavra?), démodé, “quadrado”, chato. Acaba ficando excluído do grupo, ou no caso em questão das “panelinhas” ( termo muito utilizado para denominar um grupo de pessoas que se relacionam de forma mais próxima).

Outro equívoco bastante comum nos sites de relacionamento é quanto ao significado de palavras (tipo sessão, seção, etc) utiliza-se uma palavra que vem a mente, que mais se aproxima com o que se quer expressar, sem mesmo ela representar a realidade da circunstancia que se quer apresentar. E ai do receptor da mensagem entender de outra forma, é o suficiente para desencadear um desentendimento. Confundem prioridade com monopólio, sensualidade com vulgaridade, educação ( ser bem educado, cumprimentar as pessoas, agradecer, pedir por favor, dar atenção) com cantada. É o caos, há a todo o momento a necessidade de explicar algo escrito/dito.

Obviamente que tais erros, esquecimentos, equívocos com a língua tem várias justificativas: falta de leitura, dedicação, disciplina, estudo, atenção, pressa ao escrever, etc. Algo que depende exclusivamente da vontade de cada um em aprender, aperfeiçoar-se, o que está longe de acontece, já que estão ali pra relacionamento ( principalmente amoroso) e não troca e aquisição de conhecimentos.

E esse caos está longe de terminar, haja vista que mais parece uma doença, pois acaba contaminando quem escreve corretamente, pois de tanto ler e tentar corrigir, acabam errando. O recurso é evitar ler o que os outros escrevem nesses sites. Se ler, se policiar para não ficar reproduzindo, na dúvida recorrer ao velho amigo dicionário. Evitar a contaminação por osmose, afastando-se de contatos nos quais esses erros são praticados em abundância.

Um comentário:

Sandro disse...

Pois é, Lilian.

Este assunto, é algo que já deveria ter sido colocado em pauta em outros meios há muito tempo.

A aceitação de abreviações em excesso e do "miguxês", "internetês" e outros "cyber-dialetos" no quotidiano real, já é excessivo e praticamente uma alternativa às regras ortográficas vigentes.

Diversas pessoas de minha convivência utilizam algum "cyber-dialeto" pois dizem facilitar a escrita (ao reduzir a quantidade de texto digitado) e estreitar mais os laços de relacionamento, haja vista a possibilidade de uma interação mais íntima.

Ainda assim, não considero isto uma prática saudável.

Frases simples como "kd vc?", de fácil interpretação fonética podem parecer sutis e inocentes, mas culminam em criptográficos "migu, a fa q v c vc tc c a de".

Esta representação fonética, monossilábica, praticamente domina determinados meios.

Acerca das pontuações, concordo completamente contigo que, sem o timing proporcionado por elas, o texto pode ficar ininterpretável (se é que a palavra existe), ou ter seu sentido completamente alterado.

Outra praga virtual (totalmente dispensável) são os emoticons (animados ou não), utilizados em comunicadores instantâneos, como o MSN.

Usados em excesso, poluem e complicam absurdamente a leitura dos textos.

Algumas pessoas utilizam tantos em substituição às palavras, que você acaba perdendo minutos e minutos para compreender o que realmente quis ser dito.

Pior é quando este emoticon possui 30 imagens, e somente uma delas possui alguma relevância ao assunto (uma palavra largada no meio por exemplo).

Usados com parcimônia, é provável que estes recursos realmente ajudem na interação virtual, como o caso dos emoticons exprimindo uma ideia ou substituindo uma ideia engraçada por uma imagem (que vale por mil palavras, é fato...).

Em excesso, causam irritação e comprometem a interpretação e legibilidade do texto.

Abraços! Ou melhor... [ ]´s! :)