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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Onde estão nossos dedos?



Maurice Merleau-Ponty, filósofo contemporâneo, nos presenteou com excelentes reflexões acerca dos membros fantasmas. Resumidamente, a questão dos membros fantasmas envolve o fato de pessoas que têm um membro ou parte do corpo amputada, e mesmo sem a respectiva parte sente dores na mesma.

Ou seja, uma pessoa que tem sua perna direita amputada, continua a sentir dores no seu pé direito, no pensamento de Ponty, o paciente ignora a mutilação. O filósofo nos brinda com uma análise fenomenológica sobre da percepção que merece e deveria ser lida por todos.

Porém a minha percepção do momento vai em oposição a de Maurice, se bem que não sei se é oposição, oposição não de idéias, mas de percepção mesmo.

Olho para minha mão e vejo meus dedos, mas parece que eles estão amputados: não tocam mais a ferida de ninguém, quiçá tenta curar algo, nem mesmo tentam mais indicar qual direção seguir.

Meus dedos hoje não comandam mais uma vontade voluntária racional, mas um comando do meu subconsciente, daí o trabalhos deles em digitar algumas palavras. Já não sinto os dedos de outras pessoas me tocando, mas suas palavras me tocam.

Estas sim podem tocar a ferida de alguém, tentar cicatrizar algo, alguma coisa ou alguém. Ainda denotam alguma tendência com relação à direção.

Não me resta mais o sabor, o tato ou olfato. A lama está presente em muitos caminhos, já nos acostumamos com cheiros. Resta-nos então a visão, a audição e o subconsciente, travestido de intuição.

Um comentário:

Mariana disse...

bravo! vou pensar a respeito... :) um grande abraço, m.