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segunda-feira, 31 de maio de 2010

H1N1 – multivacinação



Ano passado quando surgiram os primeiros casos da “nova” gripe ( H1N1), recebi inúmeros e-mails, e até mesmo vídeos, sobre a produção em laboratório do vírus causador da mesma, tais informações diziam que o vírus fora criado para dizimar a população.

Este ano foi diferente, os e-mails e vídeos vinham dizendo para não tomar a vacina contra a respectiva gripe, pois o interesse era matar, dizimar a população, já que a vacina continha mercúrio que é nocivo a gripe.

Juro que me dei trabalho de responder alguns desses e-mails dizendo serem verdadeiras as informações, porém consumimos da mesma forma medicações nocivas á vida, porém necessárias, eis ai o Lítio, droga de primeira linha no tratamento de transtorno bipolar, e que é tóxico em alguns níveis no organismo. Em outros dizia que isso era para assustar e o pessoal não se vacinar, assim a contaminação pelo vírus produzido para dizimar a população seria mais fácil.
Antes de entrar no mérito que pretendo, vale destacar que quem inventou o vírus deve estar disputando com Deus, um cria o outro dizima, uma disputa de egos, de pessoas superiores. Afinal a troco de que dizimar a população? Viver sozinho não é bom. Mas não sabemos pra onde viemos, por que estamos aqui, quem somos nós pra tentar dizer pra onde vamos.

Porém eis que estamos em plena campanha contra o vírus H1N1, em alguns postos de vacinação são distribuídas senhas, quarenta para ser precisa, há formação de fila, demora no atendimento, todas as regalias que o sistema de saúde pública nos oferece atualmente.

Após uma hora de espera, entrei no estabelecimento com a senha 16, esperei mais trinta minutos a ser atendida, para passar o tempo fui observar o que o ambiente me oferecia: nenhum cartaz de educação para a saúde, uma funcionária berrando no corredor pedindo silêncio pois havia um cardiologista atendendo no mesmo corredor ( sem uma janela ou ventilação), crianças tomando vacinas no colo das mães ( podendo cair se a mãe não a agüentasse,m pois estavam em pé), alunos despreparados e sem conhecimento aplicando a vacina, caixa térmica contendo a vacina continuamente aberta e sem termômetro para controle de temperatura ( OHHH! Isso é fundamental), funcionários aspirando e retornando com a vacina para dentro do frasco ( ou melhor estudantes e professor sem nada a dizer, afinal estava mais preocupado se estava chegando alguma emergência e com a fila La fora). Sem contar do desfile de vacina entre uma sala e outra, já na seringa. UFA! Chega, não quero pensar.

Confesso que ao tomar a vacina rezei para que realmente ela não me faça falecer, não por contaminação viral de H1N1 ou mercúrio, mas por infecção hospitalar, a famosa que poucos sabem de onde vem, e muitos profissionais a provocam.

Na areia construímos castelos, mas no sentimento admiração




Todos os dias aquela moça era vista, sentada no calçadão, à beira mar, abraçando os joelhos, e olhando ao longe. Praia cheia ou vazia lá estava ela. As vezes passava uma pessoa lhe dizia olá, outra puxava um assunto e logo saía.

Mas dentre essas pessoas havia aquelas que estavam ali todos os dias também, as vezes caminhando, outras pegando sol, outras jogando cartas. E quando se aproximavam dela, e ela reclamava que nada tinha a fazer. Incentivavam-na fazer algo. Ela então se levantava, ia até a areia e começava construir um castelo de areia, fazia caminhos, bosques, levava horas, dias, e ali direto, construindo sua arte em areia.

Porém logo vinha um vento, ou um bola, ou uma pessoa inconseqüente e desmanchava o seu castelo de areia. Então a moça voltava ao banco, abraçava os joelhos e continuava ali. O dia passava e ela ali, via pessoas indo e voltando do trabalho, pessoas que ali trabalhavam, pessoas que iam fazer um happy hour ali. Conversava com todos.

Às vezes aparecia algum novato e se encantavam com ela. Eles começavam a conversar, e quando ela contava de seus castelos de areia, que era o que fazia ali, eles simplesmente passavam a dar oi, ou nem passavam mais por ali. Iam para outras praias, que quando ela decidia ver as demais os viam por lá.

Certa vez uma pessoa disse para ela que o vento desmanchava os castelos por que a areia era seca demais, e assim ficava fácil desfazer a arte. Ofereceu-lhe ajuda para construir um novo castelo. Ela estava desanimada, sabia que iam ser destruídos. Mas acreditou naquele estranho. Ele então lhe disse para fazer mais próximo ao mar, a areia lá é mais úmida e assim se adere mais, difícil o vento levar, e no dia-a-dia, depois do castelo pronto ele a ajudaria manter aquela construção, e se desmanchasse alguma parte, eles estariam juntos para reconstruí-la.

E assim fizeram o castelo. Um dia ao chegar pela manhã o rapaz não estava, mas ela continuou o trabalho, a noite ele apareceu e fizeram mais um pouco. Durante a construção ele trazia areia ela ia moldando, as vezes ele tentava moldar e ela não gostava, se enfurecia. Mas no final ele deixava passar.

Os dias se passaram e o rapaz não mais a ajudava, apenas aparecia e a observava construir sozinha, apenas trocava poucas palavras. Mas só faltavam alguns pequenos detalhes mesmo, que ela nem se importava. Acreditava que o olhar dele era mesmo de admiração, dela ter conseguido mais uma vez erguer um castelo.

No entanto, ao final de tudo, quando os dois poderiam sentar-se atrás do castelo e admirá-lo veio uma forte onda e destruiu todo o castelo. Ela olhou em volta, e o rapaz não estava, logo ele que prometera ajuda, e agora.

Seu desespero veio a tona, ela segurava areia molhada nas mãos e chorava. Não sairia dali como alguns amantes fazendo guerra de areia e rindo do tempo gasto, abraçando-se, segurando as mãos e se jogando ao mar para tirar toda a areia de seus corpos.

Ao invés disso, passavam por ela pessoas a criticando, dizendo que ela fora incapaz de construir algo, prendeu uma pessoa ali numa besteira, outras a criticavam por ter construído aquele castelo tão perto do mar.

Ela chorara, não via a mão amiga, ninguém para ajudá-la a levantar. Apenas chorava e olhava sua bolsa a poucos metros com a máquina fotográfica para registrar aquele momento.
As lágrimas secaram, a moça se levantou sozinha, e foi caminha em direção ao mar indo cada vez mais fundo, até desaparecer num mergulho. Algumas pessoas conhecidas a observaram de longe, e acreditaram que ela conseguira sozinha ir até ao mar se limpar de toda areia que estava em seu corpo.

Porém ela jamais emergiu, e há quem diga que ela tem fôlego, só está a espera de quem possa ir até lá, enfrentar as águas geladas da estação, segurar sua mão e retira-la de dentro da água, quem sabe agora não para construir castelos, mas para admirar a beleza do sol ou o brilho das estrelas.

domingo, 30 de maio de 2010

''Tudo o que é difícil em nossas relações humanas surge devido às expectativas que temos em relação ao outro, se nossas expectativas não são alcançadas, gera-se um conflito, uma decepção. Para termos um bom relacionamento, o primeiro passo é nos aceitarmos como somos, para então conviver com os outros, se eu não me aceito, como eu quero que o outro o faça? É importante ficar atento para quando se está mal humorado, nestas situações devemos limitar os relacionamentos com as pessoas, pois provavelmente serão vítimas de nosso mau humor.
Outra atitude importante para o nosso crescimento como pessoa é o convívio com pessoas que discordam, que tem jeitos e pensamentos diferentes dos nossos. Certamente haverão conflitos neste convívio, mas serão oportunidades de crescimento. Quem convive somente com aqueles que são sempre bem-vindos perde as oportunidades de crescimento''.

Padre Fábio de Melo no Programa ''Direção Espiritual'' da TV Canção Nova.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esperança é o ato de esperar continuamente, quem espera não alcança, apenas alcanlça aquele que caminha....
Caro Anônimo,

Adoraria você deixar publicar seu comentário, até porque não está assinado!!!

Mas farei um texto a respeito do que você falou, aceito o desafio!

Qual a garantia de competência e excelência que temos?


Nos tempos atuais não tem como determos tantos conhecimentos como Da Vinci. Quando temos um projeto, ou uma empresa, somos dependentes do serviço e produtos de terceiros, e escolhemos esses serviços e pessoas pela qualidade , pela excelência, pelas referências e currículos que nos apresentam.

Porém isto não é garantia que nossos anseios sejam atendidos, haja visto que uma empreso, por exemplo, não é formada apenas por filosofia, e sim por equipes formadas por seres humanos, seres imperfeitos por natureza.

Não a nada além da ética pessoal, individual que faça com que haja garantias de prazos e qualidades. Digo isso baseado no texto do Pe Fábio que faz uma reflexão sobre a internet, o uso da internet, a invasão de privacidade. Porém essa invasão pode ser individual, mas as conseqüências coletivas, no mínimo mais amplas.

Outro dia eu enviei um texto para revisão, normalmente quem faz é uma pessoa próxima a mim. No entanto, desta vez precisava de uma certificação da correção. Por sorte mandei com um prazo de antecedência consideravelmente tranqüilo, pois no dia agendado para entrega, tive a notícia que por motivos maiores seria entregue com dois dias de atraso.

O mesmo aconteceu na entrega de um material impresso ano passado. Deixei em uma empresa de impressão e a mesma não entregou no prazo, a diagramação não foi feita a tempo, e uma das máquinas quebrou e não enviaram técnico algum para arrumar.

Ora mas o que isso tem haver. Tem haver que enquanto eu deixei terceiros providenciando material de trabalho pra mim, eu fiquei na internet lendo, em chats em busca de novas histórias novos casos, e eis que encontrei uma série de profissionais em hora de trabalho se divertindo, matando trabalho.

E eu me questionava se seria algum deles o culpado pelo atraso do meu trabalho. Não sou imprudente em entregar tudo na última hora, e procuro sempre serviços recomendados, qualificados. Mas esses mesmo serviços deixam seus funcionários divertirem-se na hora do trabalho.

Antes o cafezinho atrapalhava o bom andamento, agora são emails, MSN, chats, enfim uma gama de entretenimento que nada acrescentam a ninguém, apenas supram uma necessidade real, tornando-se fuga, a qual pode levar ao caos, quer seja pessoal ou do serviço.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Enquanto ouço as pessoas, eu fico bem, pois transformo as palavras proferidas por elas em contos, textos, histórias. Porém quando ouço a mim mesmo, aí sim nem sempre fico bem, pois posso perceber o verdadeiro caos que me encontro, percebo minhas verdadeiras circunstâncias.

Se a reflexão, a observação for anterior ás palavras e atos... Certamente o mundo estaria com menos problemas, menos intrigas, menos guerras. Assim como as pessoas, se a maioria delas passassem mais tempo observando e refletindo sobre suas circunstancias vividas, certamente cometeriam menos erros, equívocos, se meteriam menos com a vida alheia.

DIREITOS RESERVADOS AO PE FÁBIO DE MELO

Em era virtual, na qual substituimos a vida por uma tela, o contato humano pelo contato do teclado. Num momento em que você é jogado às favas, julgado, sem ao menos o direito de tentar se explicar, se defender, mostrar a sua verdade... este texto cai como uma luva...




Pecados públicos

Não reclamo. Apenas constato. Tem ficado cada vez mais difícil a gente se reconciliar com os erros cometidos. O motivo é simples. A vida privada acabou. O acontecimento particular passa a pertencer a todos. A internet é um recurso para que isso aconteça. Os poucos minutos noticiados não cairão no esquecimento. Há um modo de fazê-los perdurarem. Quem não viu poderá ver. Repetidas vezes. É só procurar o caminho, digitar uma palavra para a busca.


Tudo tem sido assim. A socialização da notícia é um fato novo, interessantíssimo. Possibilita a informação aos que não estavam diante da TV no momento em que foi exibida.


A internet nos oferece uma porta que nos devolve ao passado. Fico fascinado com a possibilidade de rever as aberturas dos programas do meu tempo de infância. As imagens que permaneciam vivas no inconsciente reencontram a realidade das cores, movimentos e dos sons.


Mas o que fazer quando a imagem disponível refere-se ao momento trágico da vida de uma pessoa? Indigência exposta, ferida que foi cavada pelos dedos pontiagudos da fragilidade humana? Ainda é cedo para dizer. Este novo tempo ainda balbucia suas primeiras palavras.


O certo é que a imagem eterniza o erro, o deslize. Ficará para posteridade. Estará resguardada, assim como o museu resguarda documentos que nos recordam a história do mundo.


Coisas da contemporaneidade. Os recursos tecnológicos nos permitem eternizar belezas e feiúras.


Uma fala sobre o erro. Eles nascem de nossa condição humana. Somos falíveis. É estatuto que não podemos negar. Somos insuficientes, como tão bem sugeriu o filósofo francês, Blaise Pascal. O bem que conhecemos nem sempre atinge nossas ações. Todo mundo erra. Uns mais, outros menos. Admitir os erros é questão de maturidade. Esperamos que todos o façam. É nobre assumir a verdade, esclarecer os fatos. Mais que isso. É necessário assumir as conseqüências jurídicas e morais dos erros cometidos. Não se trata de sugerir acobertamento, nem tampouco solicitar que afrouxem as regras. Quero apenas refletir sobre uma das inadequações que a vida moderna estabeleceu para a condição humana.


Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experiência de reconciliação pessoal. Virar a página, recomeçar, esquecer o peso do deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. É como ajeitar uma peça que ficou sem encaixe. O prosseguimento requer adequação dos desajustes. E isso requer esquecer. Depois de pagar pelo erro cometido a pessoa deveria ter o direito de perder o peso da culpa. O arrependimento edifica, mas a culpa destrói.


Mas como perder o malefício do erro se a imagem perpetua no tempo o que na alma não queremos mais trazer? Nasce o impasse. O homem hoje perdoado ainda permanecerá aprisionado na imagem. A vida virtual não liberta a real, mas a coloca na perspectiva de um julgamento eterno. A morbidez do momento não se esvai da imagem. Será recordada toda vez que alguém se sentir no direito de retirar a pedra da sepultura. E assim o passado não passa, mas permanece digitalizado, pronto para reacender a dor moral que a imagem recorda.


Estamos na era dos pecados públicos. Acusadores e defensores se digladiam nos inúmeros territórios da vida virtual. Ambos a acenderem o fogo que indica o lugar onde a vítima padece. A alguns o anonimato encoraja. Gritam suas denúncias como se estivessem protegidos por uma blindagem moral. Como se também não cometessem erros. Como se estivessem em estado de absoluta coerência. No conforto de suas histórias preservadas, empunham as pedras para atacar os eleitos do momento.


O fato é que o pecador público exerce o papel de vítima expiatória social. Nele todas as iras são depositadas porque nele todas as misérias são reconhecidas. No pecado do outro nós também queremos purgar o pecado que está em nós. Em formatos diferentes, mas está. Crimes menores, maiores; não sei. Mas crimes. Deslizes diários que nos recordam que somos território da indigência. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo. Em sua dignidade negada ele se transforma em mecanismo de purificação coletiva. É preciso cautela. Nossos gritos de indignação nem sempre são sinceros. Podem estar a serviço de nossos medos. Ao gritar a defesa ou a condenação podemos criar a doce e temporária sensação de que o erro é uma realidade que não nos pertence. Assumimos o direito de nos excluir da classe dos miseráveis, porque enquanto o pecador permanecer exposto em sua miséria, nós nos sentiremos protegidos.


Mas essa proteção que não protege é a mãe da hipocrisia. Dela não podemos esperar crescimento humano, nem tampouco o florescimento da misericórdia. Uma coisa é certa. Quando a misericórdia deixa de fazer parte da vida humana, tudo fica mais difícil. É a partir dela que podemos reencontrar o caminho. O erro humano só pode ser superado quando aquele que erra encontra um espaço misericordioso que o ajude a reorientar a conduta.


Nisso somos todos iguais. Acusadores e defensores. Ou há alguém entre nós que nunca tenha necessitado de ser olhado com misericórida?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Solidão de amigos? Isso passa. Só não se prive da amizade com Deus.

Pe fábio de Melo


humildade não é algo que se detêm, é algo que se pratica diariamente!



AUGUSTO CURY

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Apresentações perdidas

Ela estava sentada naquela praça quase vazia, só lhe fazia companhia os pássaros, insetos, árvores e carros que eventualmente passavam. O lugar ideal, que representava o que ela sentia: o vazio. As mãos presas entra as penas deixavam o cabelo cobrir o rosto parcialmente, mas deixando os olhos perdidos no nada, impacientes piscavam procurando entendimento, respostas.

- Quem é você? Disse uma voz, que a fez girar procurando quem era. Avistou uma pessoa atrás do banco, um maltrapilho, mas que não chegou a assustar em sua aparência.

- Alguém... Fez uma pausa e completou – Perdida em si mesmo. E você?

- Ninguém eu já me perdi de mim faz tempo, já não sei que sou!

Disse o homem saltitando de girando em torno de uma árvore.

- E você fica feliz em não saber mais quem é?

- Claro, se não sei quem sou não sei dos meus problemas, vivo apenas cada segundo. Enquanto se eu estivesse perdido em mim, estaria preocupado em me achar, triste como você.

- Não estou triste, estou procurando um rumo.

- Só se acha a direção e algum lugar andando e não sentada num banco, você está estática.

- Para algo entrar em movimento, sair da estática é preciso alguma força para impulsionar. E eu procuro isto.

O homem num reflexo imediato, lhe deu um empurrão pelas costas, fazendo-a sair do banco cambaleando, tendo que se esforçar para não cair.

- Você é louco? Gritou ela.

- Não

- Por que vem me agredir assim? O que eu te fiz?

- Não te agredi eu só dei uma força para você sair da estática.

- Você podia ter me machucado.

- Ninguém aprende andar de bicicleta sem cair e ter uns arranhõezinhos.

- Eu devo estar sonhando, ou melhor, ouça, delirando tendo uma alucinação! Exclamou ela abrindo os braços e olhando para o alto.

- Não é delírio, nem alucinação, é apenas a verdade sendo colocada a prova. Você quer mudar, mas tem medo de ousar.

- O que você está falando, nem me conhece.

- Você se preocupa demais com o que os outros falam, e esquece o que você quer, o que seu interior fala.

- Não creio, agora um andarilho me dando lição de como viver?

- Isso andarilho, mas não estou dando lição, estamos refletindo. Por exemplo, sobre uma força que nos move, sobre rumos, sobre a vida!

Ele se levantou do banco e começou a caminhar no sentido contrário ao da moça.

- Ei! onde você vai?

- Em busca do meu almoço, tenho objetivos e prioridades na vida, a minha sobrevivência é fundamental.

- E você? Ficará parada ai? Sabe ao menos suas prioridadeS?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O que a religião vem representando

Em um primeiro momento gostaria de dizer que este texto não tem pretensão em atacar qualquer religião, ou pessoa especial. Trata-se apenas de uma observação de situações que fiz de pessoas próximas, ou que tive oportunidade de conhecer.

Por várias vezes observo pessoas religiosas praticantes, que estão indo as igrejas, templos, etc assiduamente, e não apenas quando precisam. No entanto ao observar o comportamento extra religioso, não vemos traços dos ensinamentos, dos preceitos, do dogma ao qual segue. Mesmo aqueles que não seguem nenhum dogma, mas foi criado segundo algum preceito religioso, percebemos que esses ensinamento foram esquecidos.

A religião é hoje reconhecida não só como organizadora de fé, mas como amuleto, ou muletas para muitos. Isto significa dizer que a religião não faz mais parte do crescimento pessoal das pessoas, mas um escopo para momentos de necessidade, quer seja pessoal ou como demonstrativo social ( cumprir papel social).

Isso se traduz pelos atos cometidos quando fora dos limites religiosos, no dia-a-dia. Muitas vezes observamos pessoas desejando que outras fiquem com Deus, mas quando distante dessa mesma pessoa, costuma falar mal,. Ou ainda pessoas que acabam de sair da igreja e ao caminho de casa insiste em inventar histórias ilusórias contra outras pessoas, ou a especular a vida do outro. Ainda temos os casos daqueles que fazem trabalhos sociais por suas religiões, e ao sair de uma casa que foi visitar, deseja ter o móvel, o eletrodoméstico que observou naquela casa.

Assim pode-se dizer que a religião virou uma escora, um legado de pessoas se prende a religião na busca incessante de bem estar a si mesmo e não coletivo. São incapazes de acordar e proferir um bom dia ao motorista do coletivo que pega pra trabalhar. Ou ver alguém sendo injustiçado e parar para ouvi-lo. É muito comum esses mesmos religiosos, ou criados dentro de uma religião, afastar-se de alguém que só reclama da vida, que está com depressão – é mais fácil dizer que está com obsessão, está enchendo o saco, adora se fazer de coitadinho ou vítima.

É fácil esquecermos o que aprendemos e que possa beneficiar o outro. Sentar ao lado de um enfermo e ouvi-lo, segurar a mão de alguém que chora, é perder seu próprio tempo. Não podemos esquecer que vivemos um mundo narcisista, o EU sobressai em todas e qualquer situação: EU preciso fazer isso, EU preciso comprar aquilo, EU quero isso, Eu quero assim. Quantos param e pensam o que meu próximo precisa? O que posso fazer pelo meu próximo?
Nesse patamar não podemos negar que a religião atualmente está servindo muito mais para justificar erros, mal comportamento, injustiças cometidas, do que um caminho de crescimento e responsabilidade social.

Tudo por amor



Filme muito conhecido, por sua triste história de amor, do diretor Joel Schumacher, conta a história de uma mulher que desistiu do amor após uma traição que encontra um rapaz que desistiu de viver.

Realmente algo de cinema, mas que nos remete a uma reflexão comum no nosso dia-a-dia: O amor supera tudo? Ou ainda, o amor pode nascer diante da adversidade? É possível amar diante das diferenças?

O filme nos trás a relação vida-morte; riqueza-pobreza; educação-baixa escolaridade. Além da belíssima trilha sonora e momentos que falam sobre a arte. Porém o momento marcante do filme, não é a superação dele em não querer ser mais doente, e tentar por amor uma nova forma de vida, ou ainda ela se entregar a uma pessoa que tem uma grave doença. Mas sim reconhecer que o ama no momento que ele mais precisava, que ele não estava no pódio, quando ele teve uma recaída, e para não perder a magia do momento, da oportunidade de ter o amor dela, por medo, escondeu a recaída, e acabou mentindo, ferindo os sentimentos dela.

Mas ela superou aquele Embraco dele, o equivoco, a mentira. Por amor retornou, e reconheceu o amor por ele no momento que ele realmente precisava daquele amor, no momento de fracasso, de vulnerabilidade, no qual não poderia oferecer nada além de um olhar a ela e uma amor sem atos.

É fácil amar a pessoa no momento da vitória, quando ela pode lhe trazer algo e lhe satisfazer todos os seus desejos, no momento que há admiração, motivos para ela ser amada ou desejada. Mas quando o outro faz tudo errado, é difícil amar, e se há essa dificuldade, ou é porque existe egoísmo, ou porque você foi incapaz de se abrir e dizer: me ajude também.

Amar o outro não é démodé, ajudar tão pouco. O amor não surge no estalar de dedos, não é ilusão, é construção. Já diz os indianos: nem sempre a beleza que observamos é a beleza que existe dentro da pessoa. Somente no dia-a-dia que se pode conhecer, olhando nos olhos enfrentando as situações juntos. Assim construindo o amor.

No filme descobriram que essa construção dependeria de um conhecer o outro, e isso se descobriu quando numa primeira reação da quimioterapia, ela descobriu que nada sabia, e se sentiu perdida, ele ouvindo a conversa, decidiu através do conhecer dele abrir essa possibilidade dela conhecer, aprender ou correr.

Depois quando ela se abriu e foi buscar, pois abriu a oportunidade do amor, da construção através da amizade ( no caso deles), a troca foi de vivências: ela o ensinaria a voltar a viver, e ele o conhecimento que tinha, minimizando a diferença que impedia que o amor se concretizasse.

Assim deve ser na vida. Não deve ser uma fala, um amigo, um comportamento que tenha que colocar toda uma base de amor se destruir, ou ficar apenas no alicerce. O medo de arriscar de se aventurar de conhecer, não é bom, pois hoje pode ser o medo do amor, amanhã de viver.

Os ensinamentos da doença mental

É inexorável que qualquer situação da vida nos ensina algo, não seria diferente com a doença mental, esta nos ensina muito sobre o ser humano, sobre o ser e estar no contexto humanístico.

A partir da doença mental estabelecida e compreendida no contexto do Ser acometida por ela, nem sempre necessariamente diagnosticada, podemos iniciar uma série de ações e comportamentos que nos levam a um crescimento intelectual e de inter-relação pessoal.

Ao ser detectado um comportamento dito procedente de um transtorno mental, muitas vezes começamos a justificar todos os demais comportamentos da pessoa como sendo da doença, e mesmo que seja, atrás de cada comportamento há alguma situação que o desencadeia, que não é apenas da doença, e independente de doença, temos um Ser Humano, e isto significa dizer que independente da presença ou não de transtorno mental, devemos considerar primariamente o indivíduo.

A maior dificuldade hoje tanto enquanto familiar, sociedade, profissional da saúde e o próprio acometido pela doença, se insere justamente nesse patamar, considerar o ser independente de qualquer doença, transtorno. O conhecer a si mesmo e aos outros.

Atualmente há uma preocupação em entender a doença, os sintomas, os tratamentos, as drogas utilizadas para cada transtorno, uma tentativa de padronização. Que na verdade é necessária, porém apenas para fins burocráticos, por exemplo, epidemiológicos.

Porém se pensarmos um Ser com transtorno mental, apenas como um ser com comportamentos fora dos padrões que desejamos ele ter, aprendemos a reconhecer e a lidar melhor com as diferenças, aprendemos a criar alternativas de compatibilidade, o chamado meio termo para se viver bem. Começamos a perceber que para viver não é necessário seguirmos padrões do senso comum, apenas sermos nós mesmos, a única preocupação é seguirmos as leis, atos lícitos.

A doença mental ensina que ninguém se torna incapaz ou inválido por perder faculdades mentais, ou estar em um estágio de desequilíbrio emocional. E vou mais além, mostra a vulnerabilidade da mente humana, a incapacidade de suprirmos nossas próprias necessidades.

Isto que mais assunta na doença mental, não se trata da incapacidade, ou da periculosidade que o ser pode ter, mas da vulnerabilidade de não sabermos lidar, de não aceitarmos as diferenças, exacerba claramente nosso próprio egoísmo, pois se doar ao outro, tentar compreender um comportamento, ou tentar ajudar o outro a se encontrar, ou apenas estar ao lado dele quando precisa, transcende o limite de pensarmos apenas o que é bom para nós mesmos, e não para o outro.

Abrir mão de si pelo outro, nem que seja por minutos, horas ou dias, é muito. É abrir mão de si mesmo. Será? Absolutamente, a partir do momento que você busca a compreensão do outro, e ajuda-o a lidar melhor com as circunstâncias que ele vive, você acaba refletindo em si mesmo, até que ponto está sendo egoísta, até que ponto o seu comportamento não atinge/aflige o outro?

Enquanto para quem é acometido pelo transtorno aprende a viver com a adversidade, conhece melhor a si mesmo, tem condições de perceber com quem pode realmente contar ou não, consegue enxergar onde há o egoísmo, aprende a não mãos apenas ver o mundo, mas interpretar de forma a não ferir a si mesmo e ao outro.

Sem dúvida a doença mental em todas as suas esferas ensina, basta que quem se interesse pelo assunto, ou participe dessa dinâmica, esteja aberto para o aprendizado e não para si mesmo.