Um blog que traz analises e reflexões sobre política e políticos, existência e vida, Internet e mídias digitais, e todos os temas que possam vir nos causar inquietações.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Michel Foucault
O fantástico mundo novo das idéias
Se ousarmos dizer que filosofia tem moda, certamente poderemos afirmar que Platão é a peça coringa de qualquer guarda roupa, é como o pretinho básico que podemos usar desde o velório até uma festa a noite.
Se antes Platão era traduzido e amores e relacionamentos impossíveis, agora pode ser vislumbrado na internet. Não se trata de nenhum jogo ou programa novo, tão pouco site em homenagem ao filósofo, mas da internet em si: a internet não como reflexa da vida real, mas como simbologia do ideal para a vida real.
Embora muitos possam negar e mostrar infinitas teorias que se opõem a esse pensamento, é inegável que as pessoas ao acessar a Internet procuram algo, desde ampliar o universo mercadológico e de consumidores, até sanar a dor da solidão.
Quando uma pessoa acessa a Internet vai a busca de algo ideal, o melhor preço, a melhor cobertura jornalística, bons textos, bons cursos, relacionamentos perfeitos, enfim, busca na Internet o que idealizou, é como se a internet fosse uma vitrine, onde se pode transitar livremente na busca incessante de suprir uma necessidade real. Muitas vezes não se considera a realidade, e acaba-se por vislumbrar um plano ideal inalcançável, ou difícil de adquirir, haja vista que o abismo entre real e ideal possa vir a ser maior do que se espera.
O uso da Internet se torna motivador não só pelo fato da praticidade ou variedade de opção, pela falsa segurança de anonimato, a crença da distância entre os contatos ser garantia de segurança ou possibilidade de sumiço quando se quer. A internet é um espaço que você poder ser quem quiser, até mesmo você mesmo, algo que muitas vezes não se é na própria vida real.
Não é raro encontrar em sites de relacionamentos, ou em espaços que permitem troca de informações pessoais, pessoas expondo problemas, dificuldades, sonhos, ou seja, sendo elas mesmas, algo que na vida real é mais complicado devido a pressão, imposição ou padrões sociais.
Na internet é diferente, pensam ser um mundo de ninguém, como citado anteriormente, no mínimo risco de exclusão, troca-se nome, apelido, e-mail e volta-se a circular como uma nova roupagem, e assim vai. No entanto, por mais que se acredite que possa mudar com algumas mudanças a personalidade continua a mesma, o caráter, etc., logo em dado momento essa personalidade vem a tona. Isto acontece inclusive em relacionamentos amorosos virtuais, diferentemente do que ocorre, não se cria personagens, é o que se é, a mudança que muitos justificam que existe, consiste na liberdade que se tem com o outro, e ai vai se mostrando.
O que importa não é criar fantasias, personagens, isso se cria na vida real. No mundo virtual o importante é a busca do ideal, tentar transformar esse meio na própria realidade. Descobrir o ideal na busca de melhorar o real. Como o mundo das idéias de Platão.
Em outras palavras, ou simplificando o pensamento, o mundo virtual pode ser considerado o mundo das ideais de Platão evoluído. Mundo virtual este criado pela própria imaginação, talvez seja essa a verdadeira realidade, enquanto o mundo real seja o mundo das máscaras, o virtual, o imaginário.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Não temos mais poetas
Calma! Isto não é uma generalização, tão pouco estou esquecendo a memória e todo legado de obras de poetas consagrados que conhecemos. Tão pouco desmerecendo qualquer pessoa. Apenas fazendo uma referência cultural, da bagagem dos nossos atuais poetas, da formação cultural dos mesmos. Logicamente que salvo ai exceções, que não cabe aqui destacar nomes, pois pode-se correr o risco de esquecer alguém, o que seria injustiça.
Poetas por excelência, mas principalmente por competência está em extinção. Ser poeta transcende a facilidade de brincar de rimar palavras. É preciso ter estilo, conhecer gêneros literários, ter referencial. Ser capaz de concretizar o abstrato, numa dança métrica embriagante, que vicia o leitor, fazendo-o querer mais e mais.
O escrever sobre os próprios sentimentos, com rimas fracas, sem um estilo ou métrica, não é ser poeta. É ser simplesmente sentimentalista, ter o dom da escrita. Escrever poesia vai além de ter sentimentos, é preciso conhecer o sentimento do mundo, ter conhecimento, saber ao menos a diferença entre prosa, poesia e poema, ou citar um poeta diferente de Drumond. Talvez essa escrita aleatória de sentimentos próprio possa ser chamado até mesmo de terapia.
Ora por que então chamar de poeta? Simplesmente pela falta de vocábulo apropriado para tal. E já que os textos se parecem visualmente ( apenas visualmente ) com poesias, chamamo-los de poetas.
Cabe aqui dizer que o trabalho realizado pelos “pseudo-poetas” - vamos aqui assim denominas para melhor compreensão – não são trabalhos ruins, tão pouco merecem esquecimento. Podem até mesmo apresentar um esboço poético ( seguir estilo literário, métricas, etc.), têm sua beleza particular, ainda mais quando vislumbramos a dificuldade de traduzir em palavras o nosso sentimento, é difícil falar de sentimentos, não é algo banal, fácil, imagine exteriorizar os próprios sentimentos para outros lerem?
Alguns desses trabalhos podem até se enquadrar em alguns estilo, ter a chamada “roupagem” poética anteriormente já citada. Acontece não por conhecimento do autor, mas por coincidência, ou até por tentar imitar algum referencial corretamente, e realmente poético.
Ser poeta vai além de meros sentimentalismos, é conseguir escrever com a alma sobre emoções no cadernos da razão.
P.s: se você nãos e sentiu ofendido com o texto você é poeta!
A maior estupidez do ser humano é acreditar em suas próprias verdades como sendo absolutas.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Frases
A falsidade e a mentira afastam as pessoas do limite da razão, levando-as ao domínio da ilusão.
Sou incapaz de escrever em linhas retas sem meus óculos de grau. Da mesma forma sou incapaz de agir sem os meus óculos da razão.
Os fatos reais cotidianos me levam a “porquês” que minha razão é incapaz de responder sob minha são consciência. Assim divago... Abstraio.
Não há perda, erros ou conflitos no equilíbrio das forças que impulsionam a mente humana. Aquele que age/vive somente na razão tendem a ser arrogantes. E aquele que é só emoção torna-se ignorante.
sábado, 3 de abril de 2010
De médico e louco, todo mundo tem um pouco
Se analisarmos pelo lado da bipolaridade de humor, patologicamente falando, e considerarmos que transtorno bipolar é loucura, nós somos loucos alguma vezes, afinal ninguém é 100% estável emocional e racionalmente a todo o momento da vida.
Quem não fica feliz com uma boa notícia, e exagera na comemoração? Quem nunca desejou dar uns tapas em alguém que te faz raiva, ou discutiu ferozmente com alguém que foi contra seu ponto de vista? Quem nunca gastou mais do que podia para satisfazer o ego ou um simples desejo? Quem nunca respondeu com indiferença e ironia uma pessoa, se sentiu o último do mundo, feio, e quis se isolar para pensar na vida? Quem nunca quis morrer num momento difícil, ou pelo menos bebeu demasiadamente, e comeu em excesso para extravasar a ansiedade? Enfim quem nunca exagerou numa emoção.
Pensando assim podemos afirmar com precisão que todos nós somos bipolares, temos emoções e razão, que oscilam conforme as situações vividas. Assim como somos cardíacos, nossos corações batem diferentes a cada situação: num exercício físico acelera, ao descansar diminui o ritmo.
Quando a pessoa percebe esse ritmo acima do normal, ela para e descansa, ou então o professor, personal trainner, ou outro profissional correspondente, e o orienta a parar e descansar um pouco.
Tal como o coração, na mente acontece o mesmo. Umas pessoas conseguem dosar o equilíbrio da mente, das emoções e razões, outros não. Uns conseguem exagerar e saber a forma como reequilibrar, outros não. E neste patamar que se insere o profissional em saúde mental: na busca por caminhos, alternativas que favoreçam o reequilíbrio mental, às vezes é necessário ajuda de medicamentos para ajudar o organismo, a parte física que se desequilibra também.
Concluo então afirmando que todos nós somos bipolares, e temos condições de sermos médicos também: na busca de caminhos para reequilíbrio mental, quer seja sozinhos ou com ajuda profissional.