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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Por que não enfermagem?

Chegou novamente a nova onda de perguntar por que eu não falo tanto mais sobre a enfermagem, já que sou enfermeira deveria escrever, estudar mais sobre enfermagem.

Primeiro por que descobrir que me enquadro mais na profissão, não que eu superei ninguém, acredito que foi escolha errada. Assim seria se estivesse na medicina, farmácia e bioquímica, psicologia, direito. Qual é a minha área? Poderia dizer filosofia, mas não me sinto uma filósofa, acho q estou muito mais para analista de políticas de saúde ( com ênfase na saúde mental), e escritora do que qualquer área específica.

Se eu quiser falar de Diógenes, falo. Bem como se quiser falar de Florence, Paulo Nader, Ulisses Guimarães, de Paulo coelho, Da dançaria de qualquer grupo de axé, ou simplesmente de Deus, eu estarei livre para isso. Ou se eu quiser apenas ler sobre qualquer coisa. Sem precisar ficar seguindo tabus impostos de que leitura boa é leitura da minha área.

Logicamente que esta regra não se aplica a todos, mas a grande maioria dos profissionais tendem a ler apenas coisas de sua área de interesse, não ampliam seu campo de reflexão, e mesmo que lêem coisas não diretamente ligadas à sua área, raramente conseguem fazer analogia entre a leitura e sua própria prática. Isto significa dizer que sendo um engenheiro, e lendo um romance não conseguem fazer associação entre a leitura e o romance. Mas certamente ali no meio tem algo que lhe pode dar alguma criatividade, acrescentar algo a sua pessoa enquanto profissional. E isto serve para qualquer área, ou profissional.

Dessa forma acrescento dizendo que a enfermagem, atualmente, não me permite fazer essa ampliação no conhecimento, atuar de forma amplificada, nossos objetivos se opõem, e dificilmente é possível conciliar, ou tentar buscar o mesmo, levantar a minha bandeira dentro da profissão, já que meu ponto de vista sobre a profissão, é algo que a grande maioria, e os órgãos competentes querem abandonar, querem esquecer, para se tornarem pseudos profissionais. Comprovando a tese de médicos frustrados, ditos por muitos.

A enfermagem que querem é algo utópico frente aos problemas de saúde (em termos de sistema) que enfrentamos. Ao passo que a necessidade de uma boa administração baseada num conhecimento amplo que requer leituras e estudos além da enfermagem e saúde, se tornam cada vez mais primordial.

Sendo assim, a enfermagem se torna pra mim uma caixa muito pequena, mas pesada de se carregar, melhor deixá-la no cantinho do quarto, e ir usando o conteúdo de forma homeopática para não causar dano à minha saúde, e nem a nenhum sistema já integrado, concreto, e que esteja numa pseudo harmonia.

O papel do enfermeiro na atenção básica à saúde mental


Muitos enfermeiros ao lerem meu livro Integralidade e saúde mental me questionam qual o papel do enfermeiro na atenção básica em saúde mental?

Alguns tentam fazer com que eu enumere uma série de atividades que possam ser desenvolvidas pelo enfermeiro, querem uma espécie de roteiro para atendimentos de doentes mentais na atenção básica.

Primeiro é preciso enfatizar que o livro não tem o objetivo de delimitar nenhuma função de qualquer profissional na atenção básica, apenas faz uma crítica a implementação da reforma psiquiátrica mostrando o despreparo de profissionais deste nível de atenção à saúde para detectar novos casos e dar continuidade a um tratamento, com ênfase em pacientes acometidos por transtorno mental dito grave.

Porém se formos pensar no tema proposto por alguns, também não nos cabe enumerar nenhuma atividade. Primeiro porque enfermeiro não tem papel, não se trata de um personagem, e sim de um profissional que junto com outros constroem e constituem um nível de atenção. Segundo porque não existem práticas específicas para atenção à saúde mental, o que há é o uso de todo conhecimento adquirido ao longo da vida e não só da universidade, que por sua vez só nos dá o ponta é inicial, o restante somos nós que fazemos.

A orientação que dou é utilizar toda gama de conhecimento que se adquire e ampliar o campo de visão, isto é, deixar de pensar em atenção à saúde mental na atenção básica de forma fragmentada, a saúde mental se insere em vários contextos, não só de doenças psiquiátricas, como de outras, como em prevenção à grupo e pessoas em situação de risco para tal, dentre outras.

É impossível pensarmos atenção básica como sendo algo primário, generalista, mas que atua de forma especializada, grupo de saúde da mulher, grupo de obesos, grupo de idosos, de adolescentes, de crianças, hipertensos, etc. A promoção e orientações para saúde servem para todos, não só a um grupo específico. A meu ver é incoerente reunião, por exemplo, de saúde mental sem envolver pessoas não acometidas. Afinal quando é que uma pessoa até então não enferma vai saber o que é um problema gerado ou não por uma doença psiquiátrica. Assim como é incoerente uma educação para a saúde apenas com hipertensos: e os familiares deste? E as pessoas com sobrepeso que são grupo de risco?

Ai, pergunto como desenvolver a saúde coletiva de forma individualizada? Mas sempre há alguém que me questiona então para que o governo separe e indica que se faça esses grupos? A meu ver o governo atua de forma equivocada, mas nem tudo está perdido. Pode-se utilizar todos os instrumentos e informações fornecidas pelo governo, mas apenas para fins burocráticos e estatísticos.

Burocráticos apenas para delimitar a especificifidade , necessidade principal de determinada área adstrita e para prestar contas, e estatístico para delimitar as ações a serem desenvolvidas, além de controle de gastos.

Por exemplo, como eu vou fazer um pedido de medicamento, ou provar que preciso de mais do que me enviam, se eu não sei o numero de pessoas com hipertensão na área de cobertura de determinada UBS? Ou então solicitar junto à secretaria treinamento em saúde mental se não sei quantos pacientes ou grupos de riscos tenho na área adstrita?

Obviamente que haverá um determinado momento que haverá um atendimento individualizado, em que se faz necessário um conhecimento, mas nada específico. Assim o conhecimento adquirido ao longo da faculdade, aliado á prática e reflexão ( o pensar e fazer), são os elementos essenciais e aliados na prática da atenção básica quer seja para saúde mental, ou qualquer outra especialidade, afinal o atendimento será uniforme, generalista e integralizado, além disso, não é mais demanda da atenção básica, mas de demais níveis de atenção à saúde.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Interpretação

Se me pedissem para destacar uma palavra que sintetizasse o país vive, certamente, eu escolheria INTERPRETAÇÃO.

Sempre imaginei que as aulas de língua portuguesa serviam apenas para ensinar a ler e escrever corretamente, mas hoje percebo que além disso existe uma função muito mais importante: a interpretação.

Pode soar estranho a alguns dizer sobre língua portuguesa para relatar problemas de saúde. Mas é esta disciplina que pode nos despertar para a gama de variedades de interpretação, é a mesma que nos possibilita refletir sobre significados, que na área da saúde pode gerar conflitos que levam problemas sérios como o que assistimos em nosso dia-a-dia.

Iniciando pelas cadeiras acadêmicas percebemos uma leve incoerência: enquanto as políticas de saúde direcionam todo um sistema para a saúde coletiva, com ênfase na equipe multiprofissional, as universidades ainda tendem a fragmentar esse discurso e aplicar as aulas de políticas de saúde de forma individualizada a cada carreira.

Outra questão com relação a essa separação é com relação a equipe: se diz que o indivíduo tem de ser visto em sua totalidade, de forma integralizada por uma equipe multiprofissional. Ora o termo multi significa variedade, sem a necessidade de ligação entre mos profissionais, então o individuo não estará sendo atendido de forma integral e sim fragmentada, cada profissional com sua responsabilidade ( o que é correto), mas sem estar inserido no conjunto, ou seja, interligando as ações. O correto seria interdisciplinar.

O saber de cada profissão agora se restringe em papéis e funções. Não se importa o que sabe, e sim delimita-se função papel. A pesquisa limita-se a descobrir sobre diagnósticos novas tecnologias laboratoriais ou novas drogas: a investigação social fica por parte do governo ou órgãos de estatísticas, ou ainda a quem se interessar, curiosos, quem não tem o que fazer, jornalistas, sensacionalistas, ou partidos políticos em época de eleição.

A integralidade, no sentido da lei, e não de forma amplificada, só acontece de forma crescente, ou seja do nível primário de atenção à saúde na direção do terciário, e se restringiu em papéis grampeados, além disso não se conhece outra forma.

O cuidar limita-se a preocupação direta ao paciente. Verificar a rotina de um serviço, o desperdício, ou uma mera estatística, não se reconhece como cuidar.

É triste, mas não precisa ser Kardec para dizer que nada existe ao acaso, se a língua portuguesa não existe apenas para ensinar e ler e escrever, outras disciplinas também não existem apenas para preencher carga horária, assim como o profissional de saúde não existe apenas para a cura, ou para desenvolver ações que o levem a status mais elevados e ganhos extraordinários.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Tenho saudades do tempo em que eu acordava e um largo sorriso se abria desejoso de me dar bom dia,

Tenho saudades do tempo em que um simples bom dia tornava o dia mais especial de todos.

Do tempo em que as descobertas e sonhos eram prioridades, e falar de si fazia os olhos brilharem e os corações palpitarem.

Tempo este que o estar junto era o momento de se somar, e não apenas constar de estar junto. Tempo em que a palavra um do outro era mais importante do que o canto dos passarinhos.

Não era o tempo do encantamento, não vivemos agora o tempo da rotina.

Era o tempo da mudança, e hoje vivemos o tempo da resistência, resistir ao passado ou abrir portas para o futuro?

É tempo de lutar, largar velhos paradigmas cultural ou hábitos para viver o hoje. Isso significa dizer que é tempo de aceitar as mudanças.

Tempo de doar-se, tempo de inovar, tempo de troca, de surpreender, de traçar metas, cumprir promessas.

Pois ainda é tempo de resgatar todo o tempo perdido.