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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

PIB – Padrão imposto de beleza

A meu ver quem melhor descreveu a busca incessante pela beleza foi Augusto Cury no livro A ditadura da beleza, no qual relata que esta busca não é originária a partir da vontade própria do ser humano, mas de uma imposição social.

O apelo para impor um padrão de beleza, que na nossa cultura atual é o de ser magro, ter a cor do cabelo da moda, vestir-se como os grandes estilistas indicam. Mas eis que os veículos de comunicação contribuem, até de certo modo de forma apelativa, para a disseminação desses modismos que fazem com que as pessoas tenham um referencial de beleza no outro e não em si mesmas, mediante suas preferências, e no estar se sentindo bem.

Um dos padrões mais imposto, e mais buscado pela sociedade é o do corpo perfeito, para isso várias técnicas e receitas mágicas são inventadas todos os dias. Muitos desses modismos realmente levam ao resultado desejado: o emagrecimento. Porém este vem acompanhado de detrimento da saúde física e principalmente mental. Além disso, o resultado pode ser temporário, levando ao famoso “efeito sanfona”.

A prática de exercícios físicos associados a uma reeducação alimentar não são os preferidos. Há quem tome uma pílula e deita no sofá para rever programações antigas da TV e acha que com isso conseguirá um emagrecimento. A promoção da saúde é esquecida abrindo espaço para atos e decisões apelativas como é o caso dos novos modismos de cirurgia de redução de estômago, abuso do uso de medicações, e a mais nova novidade do mercado: a ração humana.

O uso de medicação para auxiliar no tratamento da obesidade, não há mal algum, pois ele atuará justamente na compulsão alimentar, na ansiedade, dentre outras indicações. Porém ele sozinho não faz milagre.

Outro abuso cometido, e aqui não vou nem entrar no mérito da ética profissional médica, é a cirurgia para redução de estômago ( bariátrica), indicada para pessoas com obesidade mórbida já com agravos na saúde devido ao excesso de peso, como problemas cardíacos. Porém está sendo feita de forma aleatória. Basta a pessoa querer emagrecer dez quilos e estar disposta a fazer, que a mesma será realizada em curto prazo. É assustador o número de relatos de pessoas que fizeram a cirurgia, mesmo sem indicação em sites de relacionamentos.

Já a grande novidade é a ração humana, que tal como as rações caninas não é para qualquer vira lata, pois com a procura crescendo o valor tem se elevado cada vez mais. Em um dia estava oito reais, sete dias depois já foi para quatorze reais.
Muitos lêem o que compõe tal ração, porém não percebem que estão comprando substâncias facilmente encontradas em alimentos como peixes, óleos vegetais, azeite, legumes, verduras, frutas, cereais, grãos. Ou seja, estão assinando o atestado que não sabem se alimentar adequadamente, necessitando lançar mão de um produto que regule a alimentação.

Pode-se dizer então que a ração humana é a falsa reeducação alimentar, pois enquanto você estiver a consumindo estará equilibrando sua dieta. No entanto, quando cessar o consumo, os problemas de uma má alimentação retornarão, conseqüentemente o aumento do peso.

É preciso ter em mente que o aumento de peso na maioria das vezes é resultado de uma má alimentação, ou melhor, de uma dieta desequilibrada, rica em açúcar e carboidrato ( também na maioria das vezes). Além disso, se não for feita a reeducação alimentar, associada ao exercício físico, não terá redução de estômago, lipoaspiração, quiçá ração humana que impeça novo ganho no peso, e ainda pode ganhar de brinde uma morte precoce.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Auto-ajuda, ou ajuda a auto-ajuda?

Muitos são os livros atualmente classificados como de auto-ajuda, os quais uma porcentagem considerável nada mais é do que reunião de letrinhas reunindo experiências não testadas ou isoladas ou uso equivocado de teses e teorias científicas na busca incessante de uma vida melhor, do viver melhor.

Porém nem todos são passatempo para dormir, há autores que escrevem não na busca de ajudar diretamente alguém, trazendo manuais de instruções de uma vida melhor, mas escrevem de forma a fazerem as pessoas refletirem, isto sim leva a auto-ajuda.

Nenhuma fórmula pronta ajuda alguém, apenas a coloca numa rotina, que nem sempre é a que precisa. Pode trazer até benefícios, mas jamais se trata de auto-ajuda, pode ser mais um roteiro de disciplina.

Auto-ajuda não se doa, não se oferece, é impossível isto. O próprio prefixo já diz: auto que significa, resumidamente explicando, de si mesmo. Então como pode algo de si mesmo vir de fora, vir de outro?

Sendo assim os livros, textos que podem vir ajudar alguém, ou seja, que podem desenvolver a auto-ajuda, são justamente aqueles que trazem reflexões, que fazem as pessoas refletirem e assim conseguirem encontrar caminhos a seguir, e não explicações baseadas em falsas promessas, ou roteiros, ou exercícios que utilizam teorias científicas onde não lhe cabe.

A incoerência das interpretações


Que a natureza é sábia ninguém mais duvida, Mas que existem poucos homens sábios isso ainda gera discussões, embora seja claramente perceptível, que realmente poucos são sábios. Exemplo disto são as falas sobre a própria natureza: muitos dizem que a sábia natureza está matando os homens, está em fúria enviando chuvas, calor e frio excessivos, terremotos, dentre outros fenômenos natural.

Na verdade se a natureza está em fúria, alguém disparou a ira, não? A natureza não é como os homens que tem patologias que podem mudar o humor sem uma causa precedente. Ou seja, a natureza não está em fúria, a natureza simplesmente está respondendo a ações do próprio homem. Ora se há enchentes é porque não houve um preparo eficiente para se evitar, e aqui não só relatando sobre o “jogar lixo nas ruas”, mas de infra estrutura como um todo, tendo em vista as mudanças climáticas também provocadas pelo o homem.

O mesmo acontece com as “palavras de Darwin” que muitos interpretam como o mundo sendo dos mais fortes, fazendo com que a concorrência, as disputas, as competições pela sobrevivência ganhem espaço frente a necessidade de se especializar, de crescimento . Isto significa que ao invés de haver união na busca de aptidões que se completem, há uma divisão, um movimento separatista ( não me referindo a história ou política), individualista, no qual vence o mais forte.

Darwin deixa bem claro que a existência de um objeto não implica na inexistência de algo inapto, mas do surgimento dos aptos. Isto significa dizer que o crescimento a evolução é acontece de forma natural, e só sobrevive aqueles que a acompanham, ou pelo menos aqueles que colaboram para que haja essa evolução, positiva claro.

Não podemos que só quem sofre com chuvas demasiadas numa região são aqueles que jogam lixos nas ruas, ou não colaboram para as variações climáticas. Até porque essa dita “fúria” da natureza é resultado desse individualismo, dessa má interpretação.

É incoerente tentarmos explicar as coisas da forma que nos for mais conveniente, pois ainda assim estaremos num processo de autopromoção, de tentar sobreviver sendo o mais forte. Quando conseguirmos entender o que Darwin quis dizer com aptidão, talvez estejamos iniciando o caminho certo da coerência da sobrevivência.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

uma reflexão sobre o tempo

Eu vivo nesse embate constante com o tempo. Eu me recordo que numa das noites em que eu mais pude aprender sobre o tempo, foi uma oportunidade que tive de passar uma noite com um amigo meu que estava doente. Numa fase terminal de câncer. Eu tinha ido para ali para ser útil aquela noite, cuidar dele. Eu me recordo que no meio da noite eu acordei com o choro dele, no meio daquele escuro. Aí fiquei assustado, e perguntei pra ele né: Robinho aconteceu alguma coisa? Ele me disse assim: Não! É que eu estou com um pouco de dor, já tomei o remédio. Aí estabeleceu-se aquele silêncio. Eu fiquei extremamente desconsertado, que na verdade eu estava ali pra cuidar dele. E eu acho que ele percebeu meu desconserto, e ele me disse assim: Meu amigo! Não se preocupe não, hoje só de saber que você está aqui dentro deste quarto, já torna minha vida um pouco mais feliz. Naquele momento eu experimentei o que não é do tempo. Por que o tempo é esta força que nos envelhece, que nos entristece, que nos mata, que nos leva embora, que nos distancia. E naquele momento eu experimentei a ausência do tempo, quando você pode ser inútil, quando você tem o direito de ser inútil para alguém, não fez o que deveria ser feito, mas o que me importa é que você está aqui do meu lado. Tão lindo, minha gente, quando na vida temos a oportunidade de criar essa brecha no tempo, quando nós conseguimos aliviar a nossa vida, a nossa existência a partir do amor que a gente ama, e os amantes sabem muito bem disso, quer fazer esquecer o tempo? AME! Por isso eu dizia aqui no início: Ele sacerdote das razões humanas – o tempo, eu sacerdote das divinas causas, que numa madrugada eu aprendi o verdadeiro significado do amor. Que concebe qualquer forma de inutilidade, não há problema. O importante é o que significamos um para o outro. Isso é amar. Obrigado! Obrigado por me fazer neste tempo de hoje, mais uma vez recordar, viver, que mais uma vez eu venci o tempo com a liturgia que o amor proporciona.


Padre (filósofo) Fábio de Melo

Respeito desrespeitando?


Há alguns poucos dias um amigo área da saúde me abordou solicitando minha assinatura num ato contra exposição de fotos de uma modelo em fantasia de enfermeira, li o texto que dizia que as imagens traziam a mulher em trajes sexy, e que isto denigre a imagem da profissão, resumidamente falando.

Enquanto lia aquelas linhas o perguntei como anda a enfermagem, as lutas os desempenhos. Perguntei quantos enfermeiros já haviam assumido o cargo de secretários da saúde no país, ou provedoria de hospitais, como não obtive resposta precisa, parti para outro tema. Tentei saber como andam as questões de cobertura assistencial, filas de espera, distribuição de medicação à população que precisa, implantação de PSF, sistema de referencia e contra referencia, integralidade entre os serviços e sociedade, além dos demais setores sociais. Tive como resposta que infelizmente o ato médico foi aprovado e os enfermeiros estão perdendo espaço. Então reforcei as perguntas que havia feito, pois não me referi a ato médico. A resposta? Um balançar de ombros de desconhecimento.

Não pude me segurar, ou melhor, minha língua. Cruzei as pernas, segurei meu queixo com uma das mãos enquanto um braço se apoiava no outro, refleti por um segundo e disse. Como pode uma foto denegrir a imagem de profissionais que nada sabem com relação ao seu campo de atuação, sentem-se desanimados por não conseguir um espaço que é da medicina e se ofendem com fotos de uma mulher bonita que lembra a profissão, que referencia a profissão, à moda dela.

Talvez seja essa imagem que os profissionais estejam passando, mais preocupados em ler coluna social do que fazer estatísticas de morbidade e pesquisas para resolver os verdadeiros dilemas da saúde. Não será uma roupa sexy que resolverá ou irá piorar isto. Respeito a gente adquire no dia a dia, não se pode negar um passado cultura, cabe a cada profissional mostrar que mudou, e não é solicitando retirada de fotos sensuais de sites, mas mostrando comprometimento não só com o setor em que atua, mas social. Mostrando resultados favoráveis no processo saúde-doença, para isso é preciso agir de forma ética, com um pensar político-social, para não dizer filosófico, pois pode assustar os desatentos.

Se fosse assim, todas as mulheres deveriam passar abaixo assinado pedindo retirada de fotos sensuais da internet, revistas etc., pois poderiam ser confundidas no seu dia a dia com aquelas “representantes da sensualidade”.

Análises a parte, para finalizar a conversa perguntei: onde assino a favor das fotos, sim pois vivemos numa democracia e podemos optar, gostei das fotos, ficaram bonitas, foi feito uma trabalho de profissional, devo inclusive parabenizar a modelo, fotógrafo e escola de samba que trará o enredo sobre a historia da saúde.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Enfim chegou 2010!

Mais um ano se finda, e outro começa, bastou o rodar do relógio para acordarmos em um ano e dormirmos em outro. Salvo algumas pessoas que não agüentaram e dormiram no mesmo ano.

Todo início requer planejamento, eis que é hora de fazermos listas intermináveis de projetos e desejos para o ano que se inicia. Geralmente não se incluem nesta lista saúde e paz, até porque recebemos muitos votos das mesmas durante as festas de final de ano. Aliás, se dependesse só de votos ninguém ficaria sem saúde ou paz durante todos os anos. Mas são essas mesmas pessoas que tiram a paz e nos estressam, prejudicando não só a saúde mental, mas a física e social.

Ninguém deseja mais intelectualidade, conhecimento, mais reflexão. Imaginem! Ninguém iria que eu pensasse mais, escrevesse mais, falasse mais, isto certamente tiraria o sono de muitos, e como todos querem saúde e paz...

Mas em época de retrospectiva podemos destacar os assuntos mais comentados durante todo o ano. Já no começo de 2009 e até as primeiras horas de 2010, as chuvas foram notícia, mostrando a ineficiência de infra-estrutura do país. O mesmo que ganhou a disputa para sediar copa do mundo e olimpíadas, sendo uma das maiores preocupações a adequação de estádios e hospedagem. A segurança se tornou secundária. A saúde certamente só foi conhecida por papéis, pois se chegassem a hospitais públicos, emergências de algumas capitais, nas quais terão jogos, certamente o Brasil já seria cortado sem sombra de dúvida.

Falando em saúde, perdemos também um dos maiores intérpretes da música pop mundial. Não o considero rei, porque tal classificação pra mim é apenas monarquia. Perda esta que significou muito mais a muitos brasileiros, do que a perda de um dos herdeiros da coroa em um acidente de avião. Pouco se ouviu falar, pouco se homenageou. Mas o considerado rei do pop teve toda a pompa. Acredito que a maior perda não foi dos escândalos que o envolviam, ou moda lançada ( quem não se lembra do gel new wave?), mas das mensagens trazidas nas letras de suas musicas, um contexto social, um pedido de ajuda pelo mundo.

Porém a maior e melhor mensagem que tal personalidade poderia ter deixado está na causa mortis: a questão da dependência química em todo o mundo. Enquanto algumas famílias se preocupam com uso e abuso de crack por seus entes, outras vivem o contexto da dependência de psicotrópicos, analgésicos, anestésicos, e por aí vai.

Isso reforça nossa esperança de que este ano políticas de saúde, em especial saúde mental possam realmente abarcar toda a demanda e necessidade de quem precisa da assistência e atenção á saúde nesta área. Que políticos possam vislumbrar novas formas de atendimento, cobertura assistencial, não reproduzindo experiências internacionais que não se adequam a nossa realidade.

2010 é um ano de esperança,! Não! Não estou falando em ganharmos a copa do mundo, mas da expectativa que todos saibam escolher adequadamente nossos governantes, não pensando em benefício próprio, mas no coletivo. Difícil tarefa, afinal ataques a brasileiros no Suriname, ou proteção ao presidente deposto de Honduras por parte da embaixada brasileira , perdem espaço na mídia para conquistas de copa e olimpíadas , além do que famosos irão fazer ou vestir no final do ano.

Mas enfim! É ano novo! Época de repor bons sentimentos, avaliar o que fizemos de bom ao próximo, rever pedidos, metas, e quem sabe construir um mundo melhor. Se podem desejar-me saúde e paz e me tirarem a mesma, posso sonhar além dos limites de cada um, não?